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Santos Dumont
 
 

Contexto histórico

O povoamento da região onde se localiza Santos Dumont está associado à abertura do "Caminho Novo", que fazia ligação entre a sede da Capitania, situada no Rio de Janeiro, e a região aurífera das Minas de Cataguases.

Naquela época, veios auríferos foram sendo descobertos de maneira espacialmente dispersa pela área, tornando necessária a implantação de pontos de parada que pudessem oferecer suporte aos viajantes, pois careciam de locais para provisão de alimentos, troca de animais e descanso. Dessa forma, o Governo da Metrópole permitiu a concessão de terras a quem quisesse cultivá-las à margem do Caminho Novo, propiciando assim, o aparecimento de pequenos núcleos populacionais.

Domingos Gonçalves Ramos foi um dos que obteve tal concessão, requerendo uma gleba como Sesmaria em 26 de fevereiro de 1709. Aí se estabeleceu com sua família e dois genros: Pedro Alves de Oliveira e João Gonçalves Chaves. Este último, em janeiro de 1715, obteve do Capitão-General da Capitania uma parte excedente da porção norte da sesmaria do sogro, que, em novembro de 1728, foi adquirida por João Gomes Martins. Suas terras se tornaram conhecidas pelo nome de rocinha de João Gomes, correspondendo ao Bairro de Santo Antônio ou de João Gomes Velho, na atual cidade de Santos Dumont. O outro genro, Pedro Alves, requereu excedentes da parte sul, lá estabelecendo engenhos e plantações, em lugar que hoje também abriga parte da cidade.

Relatos obtidos descrevem o Arraial de João Gomes como sendo dotado de belas paisagens, comparando-se, no imaginário da época, com o sul da Suíça. O arraial era então distrito de Santo Antônio do Paraibuna (atualmente Juiz de fora). Através de Lei Provincial em 1854, foi incorporado ao município de Barbacena. Em 1865, desmembra-se da Freguesia de Chapéu D'uvas e, dois anos mais tarde, eleva-se à categoria de Paróquia. Com Decreto de julho de 1889, foi criado o município de Palmyra, hoje Santos Dumont.

As versões sobre a origem do nome são controversas. De acordo com a Enciclopédia dos Municípios, a denominação Palmyra devia-se a uma homenagem prestada à filha de João Gomes Martins, que teria sido responsável pela doação de patrimônio à Capela de São Miguel e Almas. Entretanto, verificou-se que a moça se chamava Ana e que o patrimônio da Capela foi doado por herdeiros indiretos, e não pela filha do sesmeiro, tornando pouco provável a versão da referida enciclopédia.

Outra versão identificada conta que, nas discussões que acompanharam a criação do município, o Deputado Severiano de Resende teria proposto o nome de Palmyra, havendo quem sugerisse que ele queria homenagear uma filha sua ou do Governador da Província. O Deputado argumentou que o povoado guardava semelhanças com a cidade síria de Palmyra, a qual, mesmo estando no interior de um deserto, transformara-se em oásis próspero, favorecida pelos recursos naturais. Tal versão teria sido relatada pelo Prefeito Municipal ao Governador do Estado, em 1932.

No mesmo ano, em 31 de julho, o município passou a denominar-se Santos Dumont, em homenagem a Alberto Santos Dumont (chamado Pai da Aviação), aí nascido.

Foi relativamente precoce a importância do setor industrial na economia da localidade: em 1923, criou-se a Fábrica de Coalho Frísia; em 1912, a Companhia Brasileira de Carbureto de Cálcio – CBCC; e, em 1922, a Ribeiro Fonseca Ltda. Ao longo do tempo, o município passou a contar também com várias unidades produtoras de laticínios. Segundo o Censo de 1950, além da CBCC e da indústria de laticínios, existiam fábricas de meias e tecidos, metalúrgicas, torrefação e moagem de café e, produção de energia elétrica.

Outro fator que muito influiu na história municipal foi a presença da Rede Ferroviária. A Estrada de Ferro D. Pedro II teve seu apogeu na segunda metade do século XIX quando os requerimentos de transporte de café eram intensos no Vale do Paraíba. Com a decadência dessa cultura na área, a Pedro II foi incorporada à Estrada de Ferro Central do Brasil (EFCB).

Até recentemente, Santos Dumont permaneceu marcada pelas mesmas características mencionadas. Nos últimos anos, porém, as mudanças ocorridas em escala mundial e nacional tiveram reflexos desfavoráveis sobre sua economia. Entre elas, destacam-se o avanço tecnológico e gerencial no ramo de laticínios, não acompanhado a contento pelos empreendimentos locais, e a privatização da ferrovia, que significou expressiva reestruturação das atividades e, conseqüente dispensa de pessoal, com impactos negativos sobre os ferroviários residentes no município.

Atrativos turísticos

 
 

A Fazenda de Cabangu está localizada na Zona Rural de Santos Dumont, no Distrito da Mantiqueira, a 16 Km do centro da Cidade. O acesso ao atrativo pode ser feito por ônibus através da linha Mantiqueira; a empresa oferece poucos horários limitando a ida de turistas ao Museu.

A Casa de Cabangu é mantida sob a guarda do Ministério da Aeronáutica (EPCAR – Barbacena) e é o principal atrativo turístico do Município de Santos Dumont. Foi transformada em museu devido a seu valor histórico, pois é o berço do Pai da Aviação, contendo registros, documentos, fotos e peças de arte trazidas da França. Destaca-se também, sua arquitetura de casa mineira retratada através de suas cores e seu telhado colonial. Em 1973 foram construídos 3 (três) pavilhões em forma de Chalés onde está exposta toda uma cronologia da história da aviação.

O acervo disponível no Museu de Cabangu tem um grande valor documentário, como cartas e fotos recuperadas nas catas em 1932, além de móveis do início do século XX. Tombado como parte integrante do Patrimônio Histórico e Cultural do Município de Santos Dumont, encontra-se em bom estado de conservação. É administrado pela Fundação Casa de Cabangu e a verba para a sua manutenção é repassada pela Prefeitura Municipal.

Viaduto das Três Bocas
 

Localizado no Bairro Santo Antônio, o viaduto Vasconcelos, conhecido por Três Bocas devido às suas arcadas, foi construído em 1875, na mesma época do Viaduto Sergio Macedo.

É uma construção em alvenaria de pedra de cantaria e possui 48m de comprimento e estrutura resolvida em três arcadas, sob as quais passam a estrada que liga Santos Dumont ao Distrito de Mantiqueira e a localidade de Cabangu ao Rio das Posses e um pequeno Capão.O viaduto é de propriedade da Rede Ferroviária Federal e foi tombado pelo município através do decreto nº. 1442 de 28/ 12/ 1998. Seu estado de conservação e o acesso ao local encontram-se em bom estado.

Primeiro Chafariz Caminho Novo (Estrada Real)

Localizado em São Pedro das Perobas, encontra-se na subida da Serra da Mantiqueira, também conhecida como “Serra do Navio”, sendo calçada por paralelepípedos originais de sua construção. No percurso, observa-se bela paisagem natural, antigas fazendas e algumas inscrições de época em pedras.

Este Primeiro Chafariz servia para a estrada de tropeiros que vinham do interior de Minas Gerais, levando ouro para o Rio de Janeiro na época do Brasil Colônia. Entretanto, não existe sinalização de identificação turística durante o percurso, nem guias para condução ao atrativo. Não existe proteção patrimonial para o chafariz que está em estado de depredação, poluição visual e abandono. O muro por onde sai a água está caindo e a mata localizada à montante do chafariz está bastante regenerada. Não existe transporte regular para o atrativo.

Segundo Chafariz Caminho Novo (Estrada Real)

Está localizado no mesmo caminho e possui as mesmas características do Primeiro Chafariz. Existe nele uma homenagem ao Engenheiro Mariano Procópio, porém a placa de homenagem encontra-se em estado de ruína por ação de vândalos. O Chafariz em si, encontra-se em melhor estado de conservação que o Primeiro, apesar de ter sido retirada a “pia” por onde a água sai.