A história da
região de Juiz de Fora começa a ser configurada no princípio do século XVIII,
quando uma expedição bandeirante liderada por Garcia Rodrigues Paes Leme
iniciou a abertura do chamado ‘Caminho Novo’, o qual ligaria a região aurífera
de Minas Gerais ao porto do Rio de Janeiro.
A construção desse
caminho favoreceu a ocupação do vale onde se encontra o município de Juiz de
Fora, dando origem também a outros municípios do entorno. O reino de Portugal
como forma de retribuir os serviços prestados distribuiu grandes porções de
terras (sesmarias), das quais quatro foram cedidas a Garcia Rodrigues Paes
Leme.
A sesmaria que
correspondeu ao hoje Município de Juiz de Fora foi vendida em 1713 por João
Oliveira, seu primeiro proprietário, ao Dr. Luís Fortes Bustamante e Sá, um
juiz da cidade do Rio de janeiro. Devido ao cargo que ocupava, a sesmaria
passou a ser chamada como Sesmaria do Juiz de Fora. A Fazenda Velha, como foi
chamada até a demolição do sobrado da avenida Garibaldi, tornou-se um dos
referenciais da época.
Quando o engenheiro
alemão Henrique Guilherme Fernando Halfeld chegou à região com a missão de
construir um novo caminho que ligasse Vila Rica a Paraibuna, não havia nenhum
agrupamento urbano além do Morro da Boiada e a Fazenda do Juiz de Fora.
A nova estrada do
Paraibuna foi construída no período de 1836 a 1838, constituindo um novo
impulso para a formação do que seria o município, propiciando o surgimento do
arraial que em 31 de maio de 1850 foi elevado à categoria de Vila com o nome de
Santo Antônio do Paraibuna. Em 02 de maio de 1856, a Vila tornou-se o município
do Paraibuna, recebendo a atual denominação de Juiz de Fora em 1856, proposta
pelo Barão de São Marcelino à Assembléia Provincial.
Naquela época, foi iniciado
o primeiro planejamento urbano da cidade, ficando a cargo do engenheiro Gustavo
Dolt o desenho da primeira planta. Esta se constituía no alinhamento e
nivelamento das ruas, na demarcação de praças e logradouros públicos e na
previsão do futuro traçado da sua parte central orientando a expansão da
cidade, buscando satisfazer as necessidades de saneamento e higiene.
O desenvolvimento
cafeeiro na região da Zona da Mata Mineira proporcionou a Juiz de Fora um forte
dinamismo que transformou a natureza comercial da produção agrícola regional de
mercantil para agro-exportadora. Um importante fator para esta transformação
foi a construção da estrada União Indústria pelo então Comendador Mariano
Procópio Ferreira Lage.
Com a instalação da
Cia. União Indústria, compreendida entre os atuais bairros Mariano Procópio e
Cerâmica surgiu um povoado independente daquele originado pela Estrada do
Paraibuna, o da colônia de imigrantes D. Pedro II, que se dividiu em dois
núcleos: um agrícola (São Pedro) e outro industrial (Fábrica). Em 1860, a
colônia abrigava 1.144 pessoas. O superior salário pago pela indústria fez com
que grande parte dos colonos imigrantes deixassem de trabalhar no campo para
empregar-se na indústria.
A influência dos
imigrantes, juntamente com a população escrava que em 1872 correspondia a 37%
da população juizforana, foi decisiva para a formação cultural da cidade.
A rodovia União
Indústria revolucionou o sistema de transporte em Minas Gerais e abriu
horizontes promissores à produção, ao comércio, à industria e ao
desenvolvimento da cidade de Juiz de Fora.
Além desta rodovia,
auxiliam positivamente a expansão cafeeira, o desenvolvimento do sistema
ferroviário em Minas Gerais e a criação da Estrada de Ferro Leopoldina , em
1877, e da D. Pedro II, em 1875.
Contudo, a rodovia
União Indústria introduziu uma nova dinâmica no sistema de comercialização da
produção local, transformando o município em um entreposto comercial, dando-lhe
a posição de ponto terminal de comunicação de Minas Gerais com o Rio de Janeiro.
Nos moldes agro-exportadores, Juiz de Fora, favorecida por sua posição
geográfica, foi destacada como núcleo urbano capaz de garantir a centralização
de capitais regionais gerados pela economia cafeeira.
Ocorreram assim,
vários tipos de investimentos urbanos em transportes, bancos, comunicações,
saneamento e eletricidade, com destaque para a implantação da primeira Usina
Hidroelétrica da América do Sul.
O setor industrial
se mostrou como atividade econômica crescente, impulsionado pelo capital cafeeiro.
Com a desativação das instalações da Cia. União Indústria surgiu nestas
instalações a fábrica de tecidos inglesa Steele, Morrith & Whytaker,
que mais tarde passaria a ser chamada de Companhia Têxtil Ferreira Guimarães.
Entre os anos de 1889 e 1930, Juiz de Fora atingiu importância nacional como
principal centro industrial de Minas Gerais. Apesar da razoável diversificação
na produção de bens de consumo, o ramo têxtil se destacou, exportando tecidos
para diversos locais em todo o País. Juiz de Fora continuou apresentando
crescimento no setor industrial, apesar de não ter sido essa a sua principal
atividade econômica neste período (o café continuou gerando mais divisas).
A partir da década
de 30 do século XX, com a crise mundial iniciada pela quebra na Bolsa de Nova
York, a agro-exportação do café entrou em um período de declínio, assim como o
setor industrial local.
O declínio da
indústria englobou uma série de fatores que vão desde a política econômica
adotada pelo Governo, como pela falta de visão dos empreendedores locais para a
modernização e diversificação do parque fabril. Dependente de matéria-prima e
tecnologia importadas, e deficitária em infra-estrutura de energia elétrica e
transportes, Juiz de Fora entrou em outra fase de sua história, com mudanças
que caracterizaram um novo perfil para o município. Com a perda de seu
crescimento industrial, Juiz de Fora passou de centro comercial atacadista para
pólo regional de serviços.
Nessas condições, a
economia urbana de Juiz de Fora manteve-se com o desenvolvimento de atividades
terciárias, como os serviços de educação e saúde atendendo não só a região da
Zona da Mata como a outras regiões mineiras e de outros estados. Os
estabelecimentos comerciais, especialmente varejistas, passaram a ter
importância na distribuição de bens e mercadorias.
De outro lado, a
indústria têxtil tradicional passou por diversas alterações notadamente a
partir da década de 1960 com o avanço das malharias. Juiz de Fora tornou-se um
centro de fabricação de vestuário, o que representou o fechamento de grandes
fábricas de tecidos e a crescente abertura de pequenos e médios
estabelecimentos.
O antigo
empresariado, baseado em grandes comerciantes e fazendeiros, cedeu lugar a
pequenos empresários, comerciantes, operários e profissionais liberais,
caracterizando o novo perfil econômico de Juiz de Fora.
O Museu Mariano
Procópio é um marco do pioneirismo do município e da obstinação de Alfredo
Ferreira Lage (1865/1944), que dedicou sua vida à formação de um dos mais
significativos acervos artísticos, históricos e de ciências naturais do País.
Filho de Mariano
Procópio Ferreira Lage, Alfredo Ferreira Lage transformou, em museu particular,
em 1915, a vila edificada por seu pai para receber a família imperial de D.
Pedro II, em 1861.
Para marcar o
centenário do nascimento de Mariano Procópio, Alfredo Ferreira Lage inaugurou o
Museu em 23 de junho de 1921, na vila projetada e construída no estilo
renascentista pelo arquiteto alemão Carlos Augusto Gambs e situada no alto e no
centro de um parque de 78 mil metros quadrados. O parque do Museu Mariano
Procópio valoriza em seus jardins a flora exótica e brasileira.
A ampliação do
acervo de Alfredo Ferreira Lage levou à construção de um prédio anexo à Vila,
onde foi criada a Galeria Maria Amália para abrigar parte das obras que
integram uma pinacoteca, abrangendo principalmente o período de 1870 a 1930.
Em 13 de maio de
1922, o Museu Mariano Procópio foi oficialmente aberto ao público e inaugurado
com acervo que ocupava tanto a Vila quanto o anexo. Em 29 de fevereiro de 1936,
Alfredo Ferreira Lage efetivou a doação ao município do conjunto do Parque e do
Museu Mariano Procópio. Com certeza uma visita a este museu é obrigatória, por
se tratar ele de um dos mais importantes do Brasil. Localizado na rua D. Pedro
II, s/nº, bairro Mariano Procópio.
Museu Ferroviário
Criado em 1985, o
Museu Ferroviário conta a história da ferrovia através de seu acervo
constituído por mobiliário, equipamentos, miniaturas, maquetes, instrumentos de
comunicação, locomotivas, fotografias e livros. Está distribuído em cinco salas
temáticas, sendo organizado de forma didática no andar térreo do prédio.
Além dessas salas,
bustos em bronze de dois incentivadores do transporte ferroviário (Paulo de
Frontin e Cristiano Otoni) estão expostos no hall de entrada, e também um painel com informações sobre o prédio
histórico da estação, tombado como patrimônio municipal.
Integrados ao Museu
estão o pátio interno com duas locomotivas e um vagão, espaço que ganhou um
projeto de jardinagem, e os antigos armazéns da Estação, que agora abrigam o
teatro de 78 lugares, totalmente reformado, além da Sala Multimeios.
O prédio da antiga
Estação da Leopoldina e o acervo estão em processo de tombamento pelo Instituto
Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (IEPHA).
O Museu Ferroviário
abriga diversas salas temáticas, como a da Agência da Estação, que reconstitui
o ambiente de uma agência de estação nas primeiras décadas do século XX; a de
Sinalização e Via Permanente, que expõe equipamentos de comunicação e
sinalização sonora e visual (bandeiras, sinos, lanternas, telégrafo, telefones
de parede, de mesa e portátil, peças de linha férrea e ferramentas diversas), a
do Escritório Ferroviário retrata os escritórios de ferrovias, com mobiliário
de época, rara coleção de relógios de estação, livros e fotografias, a de o
Material Rodante e Aspectos Tecnológicos, caracterizada com placas originais de
locomotivas e carros de passageiros, ambientação de vagão de passageiros com
suas peças originais e vitrines com instrumentos de precisão, equipamentos de
trabalho e louças e talheres ingleses dos restaurantes dos carros de
passageiros.
O Museu Ferroviário
localiza-se na Avenida Brasil, nº. 2001 no Centro de Juiz de Fora.
A biblioteca ficou
inicialmente abrigada na Biblioteca Central, no Campus da UFJF, até 1993. Com a doação de
obras de arte que também pertenceram ao escritor, por sua viúva, D. Maria da
Saudade, criou-se o Centro de Estudos Murilo Mendes, em 1994, reunindo os acervos.
O acervo de arte é
composto, principalmente, por itens de Arte Moderna,
enquanto que a biblioteca possui obras de escritores consagrados, sobretudo nas
áreas de religião,música,história,literatura
em geral, além de obras raras, muitas contendo dedicatórias a Murilo e Maria da
Saudade.
O Museu abriga,
além do acervo bibliográfico e artístico do poeta, as bibliotecas dos
professores Arcuri e Guima, ricas em volumes sobre história, filosofia,arquitetura,
artes cênicas, literatura em geral, entre outros. O acervo de artes plásticas
também tem sido expandido através de doações e parcerias com outros institutos
similares.
A instituição
possui laboratórios de conservação e restauração, que atendem não só as peças
do acervo do museu, como prestam serviços de consultoria e restauração de patrimônio
a particulares.
O Museu localiza-se
na rua Beijamin Constant, nº 790 - Centro
Cine
Teatro Central
Um dos mais
significativos teatros de Minas Gerais, o Cine Teatro Central foi tombado pelo
Patrimônio Histórico Nacional. Inaugurado em 30 de março de 1929, simbolizava
toda a efervescência cultural vivida em Juiz de Fora na época em que se
projetava como centro comercial e industrial.
O prédio foi
restaurado e reinaugurado em 1996. Possui acústica admirável e sistema de
ventilação único, circundado de janelas e portas por onde o ar penetra
livremente, mantendo a temperatura da sala sempre agradável e suave. A sua
construção constitui um triunfo de técnica; as decorações internas foram
confiadas ao pincel de Ângelo Bigi.
Seu palco foi
projetado para apresentações de óperas, balés e orquestras, mas o teatro também
teve sua importância como cinema, principalmente nas décadas de 30 e 40. O
Prédio do Central é um exemplo de integração entre arquitetura e artes
plásticas. Em 1994 passou a pertencer à Universidade Federal de Juiz de Fora.
O Teatro
localiza-se na praça João Pessoa, s/n, no Calçadão da Rua Halfeld.
Usina de Marmelos Zero
A Usina de Marmelos
Zero foi primeira Hidrelétrica da América do Sul, construída pelo industrial
Bernardo Mascarenhas e inaugurada em 1889. Juiz de Fora foi palco da primeira
experiência de iluminação pública da América Latina, marco da energia elétrica
no Brasil.
Edificação singela
está implantada em nível abaixo da Estrada União Indústria. Suas paredes foram
edificadas com alvenaria de tijolos maciços aparentes, sobre embasamento de
pedra, sendo vazadas por vãos com vergas em arcos abatidos em seqüência
ritmada.
A cobertura de duas
águas é recoberta por telhas francesas e tem os beirais ornamentados por
lambrequim. Uma pequena torre de seção quadrada e telhado de quatro águas
marcam a construção.
O momento histórico
de sua instalação é especialmente delicado, pois, dois meses mais tarde, viria
a Proclamação da República. A Usina era como um símbolo dos novos tempos e
rendeu a Juiz de Fora o apelido de “Farol da América Latina”.
Atualmente, abriga
um espaço cultural que retrata um pouco os caminhos do desenvolvimento
industrial do Brasil.
Localiza-se na
rodovia União Indústria, s/nº., em Juiz de Fora
Morro
do Imperador
O nome Morro do
Imperador adveio da visita do Imperador D. Pedro II à cidade no ano de 1861,
quando da inauguração da Rodovia União e Indústria. Na ocasião foi oferecido um
chá em homenagem ao Imperador no local, que, a partir de então, passou a ser
conhecido como Morro do Imperador.
Situado a 1492
metros de altitude, de onde se tem uma das mais belas vistas da cidade foi,
desde a formação do núcleo urbano de Juiz de Fora no século passado, ponto de
encontro para piqueniques e passeios.
O monumento ao
Cristo Redentor foi construído em posição de destaque no Morro do Imperador,
apresentando características arquitetônicas neogóticas, estilo que influenciou
as construções religiosas do período.
Possui planta
quadrangular e volumetria marcada pela verticalidade, desenvolvendo-se
praticamente em dois estágios. A imagem do Cristo sobre pedestal protegido por
gradeado em ferro coroa a composição.
O repertório
decorativo inclui arcos ogivais, colunas duplas com capitel jônico, vitrais,
painéis almofadados e arcaturas e revestimento em bossagem. A estrutura mista é
vedada por alvenaria de tijolos cerâmicos.